Biblioteca do Negro foi reaberta em Porto Alegre e preservará acervo dedicado à memória afro-brasileira
Após sete anos de portas fechadas, a Biblioteca do Negro Yvanilda de Oliveira Belegante voltará a receber visitantes em Porto Alegre. Localizada no bairro Cidade Baixa, a instituição retorna como um dos mais importantes espaços dedicados à preservação da história, da cultura e da identidade da população negra no Rio Grande do Sul, disponibilizando um acervo de aproximadamente 1,3 mil itens entre livros, documentos, fotografias, obras de arte e objetos históricos.
A retomada das atividades representa a continuidade do legado da professora e pesquisadora Yvanilda de Oliveira Belegante, referência na valorização da cultura afro-brasileira. Desde o fechamento da biblioteca, em razão de dificuldades estruturais, parte do acervo permaneceu preservada graças ao trabalho de familiares e colaboradores. Agora, sob os cuidados de Clélia Paim e Jair Ângelos, o espaço ressurge com a missão de ampliar o acesso ao conhecimento e fortalecer a memória coletiva da comunidade negra.
Mais do que uma biblioteca, o local é considerado um centro de preservação cultural. O acervo reúne obras raras sobre a história da população negra, literatura afro-brasileira, pesquisas acadêmicas, documentos históricos e registros que ajudam a compreender a contribuição dos afrodescendentes para a formação social, econômica e cultural do Rio Grande do Sul e do Brasil. O espaço também pretende sediar atividades culturais, rodas de conversa, lançamentos de livros e ações educativas voltadas às escolas e à comunidade.
A reabertura acontece em um momento de crescente valorização dos espaços de memória e educação antirracista. Iniciativas voltadas à preservação da história afro-brasileira têm ganhado importância por contribuir para o enfrentamento do racismo estrutural e para a implementação das leis que determinam o ensino da história e da cultura africana e afro-brasileira nas instituições de ensino. Nesse contexto, a Biblioteca do Negro passa a integrar um conjunto de referências culturais da Capital, ao lado de iniciativas como o Museu de Percurso do Negro e outros projetos de valorização da memória afro-gaúcha.
Além do papel educativo, o novo momento da biblioteca reforça a necessidade de preservar patrimônios culturais independentes, muitas vezes mantidos pelo esforço da sociedade civil. A expectativa é que o espaço se consolide como um centro permanente de pesquisa, formação e difusão cultural, aproximando estudantes, pesquisadores e o público em geral de um patrimônio que representa décadas de resistência, produção intelectual e valorização da ancestralidade negra.

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