Dia da Consciência Negra 2025-A nossa história não estava bem contada": como o 20 de novembro ressignificou a presença de pessoas negras no Rio Grande do Sul
“A nossa história não estava bem contada”
A reportagem mostra como movimentos negros do Rio Grande do Sul tiveram papel decisivo na criação e consolidação do 20 de Novembro como Dia da Consciência Negra. O ponto central é a atuação do Grupo Palmares, criado em Porto Alegre na década de 1970, com participação de Oliveira Silveira, Antônio Carlos Côrtes, Ilmo da Silva e Vilmar Nunes.
Antônio Carlos Côrtes, apresentado pela reportagem como único integrante vivo do Grupo Palmares, explica que o movimento buscava questionar a centralidade do 13 de Maio, associado à Lei Áurea, e valorizar a história e a resistência da população negra. Segundo ele, a intenção não era uma luta contra pessoas brancas, mas uma luta “a favor dos negros”, para recuperar uma história que, na avaliação do grupo, não estava sendo devidamente contada.
A reportagem destaca que as primeiras manifestações em torno do 20 de Novembro ocorreram em Porto Alegre, incluindo atividades no Clube Náutico Marcílio Dias. Em 1972, um caderno especial de Zero Hora sobre a história e a cultura negra ajudou a ampliar a visibilidade do movimento no Estado. Posteriormente, a atuação do Movimento Negro Unificado (MNU) contribuiu para levar a proposta para outras regiões do país.
O texto também mostra que a construção da identidade negra no Rio Grande do Sul enfrentou um problema histórico de invisibilização. O pesquisador Deivison Campos observa que a imagem do Estado como predominantemente europeu contribuiu para apagar ou minimizar a presença negra. Segundo a reportagem, aproximadamente 20% da população gaúcha é negra, e essa condição de minoria tornou ainda mais importante a organização política e cultural.
A matéria recupera ainda antecedentes importantes, como o jornal O Exemplo, criado em Porto Alegre em 1892, e a União dos Homens de Cor, fundada em 1943. Já na década de 1970, o Grupo Palmares resgatou a figura de Zumbi dos Palmares como símbolo de resistência e liberdade.
Outro destaque é Pelotas, cidade profundamente marcada pela escravidão durante o ciclo das charqueadas. A reportagem aponta que a riqueza produzida naquele período teve forte participação do trabalho escravizado e que a cidade ainda enfrenta o desafio de combater o apagamento da história negra, indígena e quilombola. São mencionadas cinco comunidades quilombolas reconhecidas no município e a atuação de jovens negros em universidades, terreiros, comunidades quilombolas e escolas de samba.
Por fim, a reportagem mostra que cultura, Carnaval, rap, religiosidade e movimentos quilombolas continuam funcionando como instrumentos de afirmação da identidade negra no Estado. A transformação do 20 de Novembro em feriado nacional em 2023 aparece como resultado de décadas de mobilização, mas os entrevistados ressaltam que o reconhecimento institucional não encerra a luta contra o racismo e pela valorização da história negra.

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